Essa foto foi tirada em setembro de 2010, onde eu me encontrava num hospital com minha mãe querida e amada. Seu nome é Andréia Ferraz.

Hoje em senti a necessidade de contar essa história, porque chorei muito e precisava compartilhar. Espero que entendam.

Acontece que desde o ano retrasado, estavamos lutando contra um câncer de mama que persistia em dominá-la. Fomos a médicos, hospitais. Fez-se quimioterapia, radioterapia e todo o possível para que minha mãe fosse curada.

De fato ela melhorou muito por um longo tempo, as pessoas só sabiam que ela tinha câncer se ela dissesse, pois na verdade nem parecia. Minha mãe sempre foi muito vaidosa, todo dia se maquiando e penteando sua peruquinha ruiva. Sempre foi assim, e não é por causa de uma doença que ela deixaria de ser, correto?

Pois bem, minha mãe meio que parou de se tratar. O plano de saúde que ela tinha deu problema no pagamento, e foi cancelado. Ele estava atrasado, sabe. E depois disso, minha mãe jurava que já estava curada e não se importou.

Eu também, vendo sua saúde, imaginei que ela estivesse perfeita.

Passamos um grande tempo juntas. Sempre fomos unidas, desde que eu nasci.

Minha mãe sempre foi tudo pra mim. Tudo.

Viamos filmes, compravamos DVD’s pra assistir juntinhas na sala. Dormíamos juntas e felizes. Sempre rindo uma da outra.

Mas ela começou a sentir umas dores no corpo. E eu fiquei pasma. Conseguimos então que ela retornasse ao plano, e além disso fiz com que ela fosse ao INCA.

Mas até a gente conseguir tudo isso, demorou muito. Minha mãe e eu descobrimos que o câncer tinha se alastrado. E foi-se mais tratamento, queda do cabelo de novo, e todo o procedimento para que ela melhorasse.

Só que dessa vez foi muito mais difícil. Os nódulos já estavam no braço, axila… e quando eu fui ver, depois de um tempo soube que estava em alguns órgãos também, quase indo pro cérebro.

Eu não acreditei, eu pedi a Deus que me ajudasse nesse momento e livrasse todo esse mal de dentro dela. Eu pedi muito, eu chorei vários dias lutando com isso. Ela ficou em casa comigo, e eu cuidei dela.

Eu não revelei ainda, mas ela era pintora. Uma grande pintora. Pintava quadros como ninguém. Quadros grandes e bonitos. Seu sonho era ser uma grande artista e poder viajar comigo por aí. Conhecer museus famosos e sermos felizes. Era o meu sonho também, ver ela realizada.

E eu deixava de ir à escola só pra ficar com ela. Eu praticamente faltei meses, pois não tinha ninguém pra cuidar dela além de mim. E mesmo que houvesse, que filha ia deixar uma mãe nessas condições com outra pessoa?

Eu precisava ajudá-la, assim como tenho certeza que ela faria por mim. E assim eu fiz, foram os dias mais intensos da minha vida. Dar comidinha pra ela, dar banho, trocar a roupa. Dar remédios na hora certa. Ver filmes, abraçar, dar beijinho. Coisas que ela fazia por mim, eu pude retribuir da mesma forma. E continuava rezando para que ela melhorasse. Para que houvesse um milagre, como tantos outros que existem por aí.

Mas ela sofria de dores horríveis. Mesmo tomando uma boa quantidade de morfina todos os dias. Até que levei ela na emergência, devido a essas dores excessivas.

O INCA aceitou ela, por milagre de Deus. E ela ficou lá um mês, eu acho. Eu a visitava todos os dias.Mas não podia ficar lá com ela, pois eu era menor.

E eu gritei com todas as minhas forças, que só havia eu pra cuidar dela. Que ela não poderia ficar sozinha. E nada. Não permitiram. Eu chorei tanto, vocês não tem ideia.

Mas eu a cada dia aparecia lá no horário exato pra poder vê-la. Eu ajudava no café-da-manhã, às vezes trazia um docinho escondido. Tudo o que ela gostava. Eu queria fazê-la feliz, pois ela não merecia estar ali. Não mesmo.

Talvez eu, mas nunca ela.

E num dia eu dei um grande beijo nela, e me despedi como sempre fazia. Mas ela pediu pra mim ficar. Eu disse que realmente não poderia porque não permitiam. Ela chorou, me deu um sorriso e me deu um beijão. Eu retribui. Dei vários tchauzinhos antes de ir, e enfim fui pra casa.

De madrugada, acordei com o telefone.

O pior da minha vida.

Espero que nunca acordem com um telefonema de madrugada, nunca é coisa boa. Não mesmo.

Saí desesperada da cama e uma moça atendeu perguntando se tinha algum responsável na casa. Só tinha eu, como de costume. E então veio a notícia mais triste da minha vida. Ela falou bem baixinho: “É que… bem, sua mãe faleceu.”

E eu fiquei desolada, demorei pra responder no telefone. Não conseguia falar. Não haviam palavras.

Eu estou chorando agora, relembrando disso tudo, mas eu preciso continuar.

Eu desliguei o telefone, e comecei a chorar. Pensando nos 17 anos que passei com minha mãe, em todos os erros que eu achei ter cometido com ela, na última vez que nos vimos, na última foto que tiramos (essa em questão que foi postada agora) e no quanto era inacreditável tudo isso pra mim.

Deus tirou ela de mim, eu pensei. Por quê?

Por que, por que, por que logo comigo. Logo com ELA. A pessoa mais pura que eu já havia conhecido. Mais bondosa, mais amável. Tão religiosa, linda, perfeita. E ela foi antes de mim. Tão nova, com seus 40 anos. Eu chorei como se o mundo realmente tivesse acabado pra mim. Assim como de fato acabou para ela.

Eu não sabia o que fazer.

Sozinha, com a pessoa que eu mais amei e vivia junto, já não mais presente na minha vida. Meu pai já não existia pra mim, a separação devido sua traição nos afastou. Ele não era uma pessoa perfeita, e eu estava magoada com ele. Mas ele ajudou como pode, obrigada mesmo assim pai. Enfim, realmente só tinha eu. E minha vó, que tratava muito mal minha mãe, mas posso dizer que a amava tanto quanto eu. Sò não sabia demonstrar todo esse amor, do jeito que eu fazia.

Minha mãe se foi, e até hoje eu não acredito muito bem. Eu penso muito nela e às vezes de noite eu ainda choro. Mas sei que ela está comigo, no meu coração. Torcendo por mim… Minha mãe foi minha inspiração, minha alma gêmea, minha estrela-guia, minha esperança.

Ninguém nesse mundo poderia substituí-la, e eu espero do fundo do meu coração que vocês saibam valorizar a mãe que tem. Pois só existe uma, e ela não dura a vida toda.

Você ainda pode ter a sorte dela durar por bastante tempo, até mais que você se duvidar. Mas aproveite os momentos com ela, mesmo que ela seja chata às vezes. Ela é sua mãe, sempre vai querer te ajudar, sempre vai te aliviar das tensões. Vai te dar conselhos e te abraçar como sempre fez.

Ela te viu quando pequeno, sabe das suas qualidades e fraquezas, ela te ama como você é, não como as pessoas te veem.

Lembrem-se disso. Por favor.

Talvez minha missão no mundo seja avisar às pessoas do quanto uma mãe faz falta.

Talvez Deus tenha me tirado a minha tão amada mãe, pois sabia que eu aguentaria a barra e saberia passar adiante essa mensagem.

Minha mãe me ensinou muitas coisas, muitas lições. E com toda sua fé, mesmo com sua morte, consegui melhorar e me esforçar nos estudos.

No mesmo ano de seu falecimento (18 de outubro de 2010) eu consegui passar de ano, mesmo tendo perdido umas 20 provas, e mil aulas. Eu me esforcei muito, por ela.

E agora estou aqui, morando com uma pessoa que eu conheci e alegrou minha vida novamente.

Meu namorado, de quase nove meses.

Ele me lembra muito minha mãe, algumas manias. Pode parecer loucura.

E às vezes eu sonho com ela, a minha doce mãe. Raramente, mas sonho. E ela está sempre linda, e perfeita. Como deveria ser.

Deus não a tirou de mim.

Deus apenas a colocou ao seu lado. Onde ela merece estar.

Obrigada meu Deus, por fazê-la feliz. Por tirar sua dor.

Obrigada pela força e calma que me concede até hoje.

E obrigada Tumblr por me fazer capaz de repassar essa mensagem.

Essa vida segue em movimento. Apesar dos acontecimentos, ela não para.

A gente tem que ser forte e saber seguir em frente, não desistir nunca. Continuar sorrindo e não perdendo nunca as oportunidades. E por favor, nunca deixando de acreditar em Deus.

Obrigada pela leitura.

Saúde e paz!

Marianna Ferraz Piacesi

{Posted in 27/07/2011, with 334 notes

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    Na moral, esse é o post mais lindo que eu já li aqui.
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